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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Novo app do google chamado US+ vai fazer de você um conversador melhor usando análise de rosto


Antes conversava-mos somente pessoalmente. Depois vieram os sinais de fumaça, o telégrafo o telefone até chegar a internet. A tecnologia tornou mais fácil do que nunca ficar em contato com outras pessoas (pelo menos virtualmente). Mas serviços como Skype e Facebook não garantem necessariamente uma boa conversa. Eles fornecem um espaço virtual, o resto é com a gente. Você pode imaginar um ponto em que os aplicativos vão dar um próximo passo, nos ajudando, cutucando-nos na hora certa de falar, lembrando-nos da hora de calar a boca quando for a hora de ouvir. Com o US+, o novo aplicativo do Hangout você pode ter um gostinho do que é o futuro.
O aplicativo foi criado pelos artistas Lauren McCarthy e Kyle McDonald, combinando algumas análises de expressão linguística e facial o aplicativo monitora conversas de vídeo em tempo real. Você pode ver como você está sendo hostil, ou positivo, ou honesto. Em determinados intervalos o aplicativo vai lhe dar sugestões dizendo-lhe que você está falando demais ou notar que seu interlocutor parece triste.
Ambos os criadores vêem o aplicativo como inevitável, mas nesse momento o software ainda está voltado mais para explorar a ideia de mediação algorítimica do que realmente mediar uma conversa de forma significativa. "Embora esse aplicativo realmente funcione, fico em dúvidas se uma pessoa com 10 minutos de treino de linguagem corporal não detectaria esses detalhes mais rápido que o computador" diz McDonald.
"A linguagem corporal destacada traz a ideia de que agente não vai ter a opção de ignorar estas sugestões em algum momento", acrescenta. "Ou o sistema será tão preciso que não poderemos nos dar ao luxo de ignorá-lo, ou será tão rebuscado no modo como interagimos que nos sentiremos desconfortáveis de viver sem ele". "Pense nisso como autocorreção do seu smartphone com inteligência de nível da Skynet (do Exterminador do Futuro).
Em ambos os casos , disponibilizá-lo nesta forma ainda imatura, pelo menos nos dá a oportunidade de pensar sobre as implicações. "Esperamos que, se esperimentar-mos suficiente, logo no início, podemos manter a perspectiva crítica antes que a tecnologia seja predominante", diz ele.
Recentemente, McDonald e McCarthy co- ministraram um curso chamado "Apropriando Tecnologias de Interação" para o programa ITP da NYU . Foi realizado com estudantes sonhando com maneiras mais inteligentes para interromper as rotinas digitais e tecnologias comuns que usamos todos os dias (um curso inovador).
Um estudante perguntou o telefones para estranhos na rua só para tirar uma foto de seu histórico de navegação. Outro pediu aos amigos para ajudá-lo a descobrir onde comprar um café usando apenas uma interface Street View em estilo virtual.
Em algum ponto McCarthy diz que a discussão do grupo voltou-se para o porquê. "Depois que os alunos tinham saído e criado o caos através da introdução de pequenas falhas sociais (usando tecnologia) todo mundo começou a perguntar por que estamos fazendo isso, é apenas para fazer as pessoas desconfortáveis ​​ou há um ponto mais profundo?", lembra McCarthy. Mas nesses casos e com US + ela acha que as interrupções podem oferecer uma perspectiva diferente sobre as relações que temos com a tecnologia e entre si.
"Com o ritmo atual de desenvolvimento da tecnologia e da cultura não há muito tempo para a contemplação no processo", diz ela . "Eu acho que nós como artistas podemos contribuir para a conversação, provocando as pessoas a participar com perguntas sobre que tipo de futuro social que estamos construindo".




terça-feira, 25 de junho de 2013

Saramandaia e o contexto sociopolítico nacional


Nova novela das 11, Saramandaia da Globo, pura arte e ideologia. Nota 10 para a arte, atores escolhidos a dedo, maquiagens perfeitas e personagens carismáticos. Porém, como é Globo é de se esperar algum veneno. De cara percebemos a profunda ideologia por traz da novela.

1- Cidadãos reivindicam a mudança do nome da cidade e vão as ruas protestar (que coincidência);
2- Quem é contra a mudança são os vilões e geralmente são caretas e antiquados;
3- Os manifestantes usam da baderna para reivindicar, e no contexto da novela é o correto;
4- Existe um plebiscito na cidade para o povo escolher se muda ou não muda o nome da cidade;
5- Tem um pseudo santo (ICAR) que ajuda o povo (como se a ICAR tomasse lado quando as coisas pegam fogo);

Ora, a novela está sendo feita bem antes de começar as movimentações e como essas "coincidências" podem existir? Logo agora? Tudo bate certinho com o contexto sócio-político do país? Sabemos que ela é um remake, mas a pergunta é, porque trazê-la de volta logo agora? Me parecem duas possibilidades:

a) Existe um plano superior (de partidos da oposição) para causar um golpe contra o PT. A Globo já havia coadunado com esse plano à meses atrás e a novela dará apoio a esse plano exitando o povo a se revoltar, inclusive usando da baderna;
b) A Globo a colocou como um plano reserva com o intuito de promover sua "defesa" pelas mudanças sociais e políticas.

Seja qual for a verdade, Saramandaia vem com uma dose de arte pesada, muito bem feita, com ar de super produção e abarrotada de ideologia para o povão. O primeiro capítulo deixou isso bem claro. O terror é acreditar na possibilidade que todas essas movimentações já estivessem nos planos de uma classe dominante a pelo menos 6 meses atrás (quando cogitou-se a refilmagem da novela). Só o tempo dirá o que a Globo tem por traz de tamanha hipocrisia nessa novela. Golpe ou falso apoio à mudança?

domingo, 16 de junho de 2013

“Vândalos e terroristas” Por Arlan Leite.




Eis a construção conceitual da imprensa elitista e de direita, corroborada pelos setores mais reacionários e conservadores brasileiros, sobre os movimentos populares no espaço urbano. Por que a imprensa elitista, que elabora e ressignifica suas identidades fora do Brasil, que vive na terra do carnaval, do futebol e também da corrupção, mas tem uma visão de mundo a partir da Europa ou dos Estados Unidos, nomeia os movimentos populares, por exemplo, do mundo árabe, de “manifestantes” e não de “vândalos”?

No Brasil, diferentemente de outras experiências históricas, o grande problema foi não incluir a maioria. A maioria do povo não é incluída social, político e economicamente. A independência política brasileira, um arranjo da elite, foi instituída à revelia do povo. Povo? Havia uma população sem cidadania incluindo uma grande massa de escravos, os quais eram completamente desprovidos de qualquer igualdade. A República, um acordo entre militares e elite em ascensão político-econômica, também foi produto do conchavo em detrimento da participação popular. Os setores populares assistiram a mudança de regime político sem entender direito o que estava acontecendo. A despeito disso, esse mesmo povo participa de alguma forma.

Com a promulgação do Código Criminal de 1830, a elite política procurou controlar com toda a força possível os “negros escravos, vadios e mendigos”, os quais vão ser classificados como criminosos e contraventores. Para tanto, a criação de uma força militarizada foi importante para manter a ordem no espaço urbano. Em 1809, ainda no período da presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro, foi criada a Guarda Real de Polícia da Corte. 

Segundo o historiador Marcos Bretas, devido à situação social da colônia brasileira, mormente do espaço urbano carioca, onde apresentava uma classe social escravizada, entendida como propriedade dos membros da elite, a polícia era um exército permanente travando uma guerra social contra adversários que ocupavam o espaço a seu redor. A força policial aparecia como um exército no espaço da cidade apenas para reprimir severamente as manifestações ou greves dos trabalhadores e, depois da missão, ela desaparecia recolhendo-se à sua sombria existência, até a eclosão da próxima greve. A repressão era brutal e, nesse período, houve a figura do major Vidigal que utilizava um sabre (chicote) para supliciar os negros escravos, mendigos e vadios.

A elite política promulgou o Código Penal de 1890, antes mesmo da própria Constituição republicana, para exercer um novo controle de repressão às classes populares, uma vez que os escravos eram livres, entretanto eram considerados uma “classe perigosa”. Daí as legislações penais complementares irão nomear novos contraventores, a partir das novas manifestações contrárias à ordem do Estado. “Vagabundos, mendigos, prostitutas, capoeiras, ébrios” e, a partir de 1908, serão incluídos os “desordeiros”, a fim de atingirem os manifestantes políticos no espaço urbano. Essas classificações de contraventores serão respaldadas pela elite social e pela imprensa elitista. As leis penais não tinham um caráter universal e estabelecia a desigualdade no tratamento dos grupos sociais marginalizados, segundo a historiadora Myrian Sepúlveda. 

A partir da década de 1930, no período do governo Vargas, as classes sociais que questionavam a ordem vigente foram classificadas pelo Estado como “insurrectos ou comunistas”. Qualquer movimento de contestação sofria uma repressão brutal e as forças armadas e/ou policiais agiam extrapolando até os limites da legislação. A imprensa falava do “perigo vermelho” para demonizar esses grupos sociais que contrariavam a ordem.

Depois do Código Penal de 1940, baseado numa doutrina positivista e preocupado com a segurança nacional, e principalmente depois de 1964, os movimentos reivindicatórios serão tratados como “subversivos ou comunistas”. Dessa forma, novas constituições e legislações penais complementares, como por exemplo, o Ato Institucional nº 5, irão controlar e tipificar criminalmente as manifestações sociais que questionavam o Estado.

E agora, no século XXI, muitas práticas do passado continuam, mesmo com novas significações, uma vez que os setores médios e conservadores temem por demais perderem o controle sobre os movimentos sociais e que estes consigam estremecer o poder elitista que desfrutam há séculos. A força policial, mesmo com determinados níveis de modernização e orientações sobre os direitos humanos a partir da Constituição de 1988, é o poder de controle, com certa eficácia, disponibilizado pelo Estado contra os movimentos sociais que burlam a ordem no espaço urbano.

E muitas continuidades permanecem desde 1809. A polícia brasileira foi e ainda é, também, treinada para tratar a população como “inimiga”, mormente quando esta se insurge e reivindica direitos. Porém, a população não é uma vítima passiva, ela também participa dessa construção conflituosa com a polícia. No Brasil, movimentos sociais e força policial, historicamente, constroem relações complexas e hostis. A imprensa elitista e de direita chamam os estudantes e trabalhadores que questionam a ordem de “vândalos e terroristas”.

Em suma, tivemos uma sobreposição de conceitos e classificações excludentes e criminalizantes, na temporalidade histórica, forjados pelas legislações penais e corroborados pelos setores reacionários sobre os movimentos sociais que contrariam a ordem. “Negros escravos, vadios, mendigos, vagabundos, prostitutas, ébrios, desordeiros, insurrectos, comunistas, subversivos, vândalos e terroristas”. Entendeu por que a imprensa elitista e os setores médios conservadores brasileiros chamam os movimentos reivindicatórios do mundo árabe de “manifestantes”?

Arlan Leite, Mestrando em História pela UFRN.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Estudantes revoltosos, leiam "A arte da Guerra" de Sun Tzu



Esse mês o Brasil começou a pegar fogo, isso devido ao aumento generalizado das passagens de ônibus em todo o território nacional. Bem Brasil, chegou evento importante eleva-se o preço de tudo afinal, o povo acaba sempre consumindo mais independente do preço. Mas alguma coisa ficou diferente, nos parece que o povo começa a acordar de um grande tempo de dormência. Mas também temos que analisar a lógica temporal, eleições chegando, muito sindicalista e líder estudantil estão querendo se afirmar nas próximas eleições.

Mas independente da razão real (promoção política ou revolta social), esses líderes estão conseguindo cada vez mais colocar mais pessoas nas ruas reivindicando seus direitos e reclamando do sistema mais desigual e corrupto do planeta, o Estado brasileiro. O problema é a lógica que estão usando. 

Primeiro erro: o confronto com a polícia

Manifestantes ocupam as ruas comerciais das cidades usando da tática "vamos bloquear o trânsito e impedir o comércio". Até funciona, mas não tanto quanto deveria, isso porque essa tática acaba por atrair o confronto desnecessário com a Polícia Militar, mais especificamente o CHOQUE. A princípio é necessário que as pessoas entendam que o critério para se ingressar na PM (seja qual for) na maioria do território nacional não é o critério intelectual. É requerido somente o segundo grau, mas lhe é cobrado nas ruas conhecimento de primeiros socorros, direito, artes marciais, estratégia, psicologia e sociologia.

O policial militar não tem a mínima noção do que ocorre na verdade na hora desses confrontos. Suas opiniões (na maioria) são formadas pela mídia televisiva (aquela que chama os estudantes de vagabundos e baderneiros). Se duvidam entrem em comunidades e posts de policiais no Orkut ou Facebook no dias desses confrontos, vão se assustar com os comentários. Ou seja, aquelas cenas onde pessoas entregam flores para policiais em manifestações são cenas sem sentido - principalmente para os policiais.

Mas como falava no início, esse confronto não tem lógica. Primeiro que os estudantes (na grande maioria) não sabem sequer pelo que estão lutando, estão meramente sendo manipulados por um grupo que quer ascender politicamente usando de partidos de "esquerda". Por outro lado policiais militares despreparados e praticamente destituídos de senso crítico ou lógica social. A cena que ocorre disso é uma verdadeira barbárie, onde o saldo são dezenas de pessoas presas e outras dezenas feridas. O ódio histórico dos brasileiros contra os militares só aumenta. Mas o que eu quero dizer é que, os verdadeiros inimigos da sociedade não sofrem absolutamente nada com isso, eles estão em suas poltronas confortáveis assistindo tudo pela tevê - com pipoca e refrigerante.

Os verdadeiros inimigos e a verdadeira tática

Os verdadeiros inimigos do povo são velhos conhecidos das aulas de história (sim, aquela que você dormiu e nunca entendeu), refiro-me à burguesia que acabou com a farra dos impérios e instaurou a "democracia" (Revolução Francesa). A lógica mudou um pouco mas o inimigo é o mesmo. Hoje se organizam em partidos políticos e  se refugiam nas "casas do povo", as prefeituras e câmaras municipais e estaduais. Eles que são os inimigos, isso tem que ficar bem claro na cabeça das pessoas, é deles que o povo tem que cobrar.

Só para lembrar, quando a burguesia achou ruim o sistema imperial monárquico, ela foi diretamente ao rei e o decapitou, não ficou de "mimimi" no meio das ruas. Mas calma, não estou falando em decapitar essa burguesia como a mesma fez com o sistema antecessor, digo que as manifestações devem ir com o mesmo fervor para cima dessas pessoas, nas casas do povo, nas suas casas. Eles devem sentir o peso das mortes que provocam indiretamente quando sucateiam o Estado. Em uma guerra desse tipo o inimigo deve ser enfrentado cara a cara, sem intermediações. Se eles não sofrerem pressão nada mudará. Essa pressão não pode ser intermitente, deve ser eterna. Sempre o povo deve estar causando calos em seus pés, circundando suas casas, fazendo-os temer.

Por mais poético que eu esteja sendo espero que entendam que não estou fazendo apologia à violência. Quero dizer que lotar as casas do povo é mais interessante que bloquear ruas, ou seja, o que tiver de ser feito tem que ser feito próximo dos políticos, de preferência em cima deles, para que eles sintam a pressão popular e sejam obrigados à mudar seus feitos. Se essa pressão for eterna ai sim podemos mudar a história do país.

A última reflexão

Grupos sociais devem ter cuidado, não existe mobilização sem lideranças. Muitas vezes as lideranças desses movimentos são atrelados à partidos políticos de esquerda ou até pior, de direita. Mas o que esses líderes querem é meramente se promover politicamente para mudar de classe, sair da plebe e ir para a burguesia. O confronto nas ruas com a PM é idiotice, uma luta sem sentido entre duas classes que sequer sabem pelo que lutam. O confronto deve ser diretamente com os políticos nas casas do povo e até mesmo nas suas casas, para que eles sintam a pressão popular (mas sem decapitações por favor).

Por fim, é necessário que as pessoas entendam um pouco da arte da guerra. Se você não sabe pelo que luta sua batalha não terá sentido. Se você não conhece seu verdadeiro inimigo sua batalha não terá êxito. Se você não conhece o território inimigo acabará por atacar a si próprio. Temos que lutar, mas não pelo simplório aumento das passagens de ônibus, temos que lutar por mais, somos a sexta maior economia do mundo, mas também somos o país mais desigual do planeta, e no ranking da corrupção somos líderes também. Temos que lutar pelos milhares de brasileiros que morrem todos os anos de fome, em assaltos nas ruas, pelas drogas, pelo péssimo trânsito que temos, pelos desvios nas verbas dos hospitais públicos, pelos 11 bilhões usados na copa do mundo e por toda essa política que sobrevive da morte de pessoas que se instalou nesse país a um bom tempo. A luta tem que ser perene e o alvo tem que ser bem delimitado.

Obs.: Podem até me criticar por ainda usar termos clichês marxistas, mas acredito que a ironia fez o bom uso destes. 

sábado, 23 de março de 2013

Monografia sobre Objetos educacionais e geografia


Olá pessoal, eu estava meio sumido mas estou de volta para postar esta monografia de conclusão de graduação pelo IFRN. O tema é "EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: APLICAÇÃO DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM NAS AULAS DE GEOGRAFIA".
Para que saibam do que se trata postarei o resumo aqui e a quem interessar segue o link do download do trabalho por completo.

RESUMO:


O presente trabalho tem como proposta fazer uma análise de como os Objetos de Aprendizagem podem auxiliar no processo de ensino-aprendizagem da geografia. Diante das constantes transformações as quais a sociedade vem  passando e consequentemente a educação, surge a necessidade de se pensar constantemente as práticas docentes e de transformá-las na medida dessas transformações sociais. O aluno perdeu o interesse pela escola tradicional e cabe ao professor pensar em novas formas de atraí-lo a mesma. Os Objetos de Aprendizagem aparecem como ferramentas tecnológicas de cunho pedagógico com essa premissa. Assim, foi escolhida a Escola Estadual Prof. Ana Júlia de Carvalho Mousinho, uma vez que conta com equipamentos necessários para o desenvolvimento da atividade proposta. Durante este trabalho procurou-se entender a dinâmica da escola escolhida, os métodos utilizados pelos professores e a opinião dos alunos perante a escola e os professores. Para tanto foi realizado levantamento  bibliográfico, registros fotográficos, aplicação de questionários, acompanhamento de aulas e aplicação do Objeto de Aprendizagem em sala de aula, a qual teve um resultado muito positivo por parte dos alunos que participaram dessa prática. Com este trabalho foi possível verificar a importância de se pensar as práticas de ensino, de proporcionar ao aluno uma educação mais contextualizada e dinâmica. Nesse sentido a tecnologia surge como principal ferramenta de ensino e o Objeto de Aprendizagem, como parte desta, é sugerido como um  meio alternativo para a consolidação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula. 

Palavras-chave: Ensino. Geografia. Objeto de Aprendizagem.


Link: http://www.4shared.com/office/MSZiJKuv/Monografia__Objetos_educaciona.html? 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nós não temos heróis

Não quero falar aqui sobre os ideais obscuros por trás das Olimpíadas e sim voltar-me-ei para a questão cultural somente (as questões obscuras ficam para um outro texto). A abertura e o encerramento desse evento serve para mostrar um pouco da cultura do país cede e do próximo que irá receber o evento.

A Inglaterra na sua abertura e no encerramento mostrou coisas incríveis da sua história como a revolução industrial, suas tecnologias, atletas conhecidos mundialmente pelos seus feitos, intelectuais e os heróis da sua cultura em geral. Por incrível que pareça (ao meu entendimento) ainda teve a coragem (ou cara de pau) de mostrar indianos levantando um inglês. Não sei se foi no contexto "eles nos ajudaram a ser o que somos hoje", ou se foi no contexto de "estamos acima de vocês".

Mas ao fim do encerramento surge a homenagem feita ao próximo país cede, no caso, o Brasil. Esse é o momento de retirarmos todos os estigmas que o mundo tem sobre nossa cultura, poderíamos acabar com essa ideia estrangeira de "o país das bananas", "o país do futebol" e "o país do sexo". Mas ainda não foi dessa vez que isso aconteceu.

Logo de cara surge um gari no palco, ele começa a dançar e atrapalha o evento. Um segurança chega e pede que ele se retire. Nesse momento o gari o convida para dançar e o faz de melhor forma que o "gringo". Surge a ideia de que o brasileiro é superior por saber sambar como ninguém. Que diferencial nossos governantes escolheram para mostrar ao mundo, "nos dançamos melhor que todos vocês!".

Pouco tempo depois surge o "malandro", aquele cara de vestido branco, chapéu tradicional, sapatos de couro que vive nos bares de Copacabana tomando cerveja e cantando samba. É isso mesmo, primeiro um gari e depois um malandro. O gari ainda trabalha, mas o malandro é o "fim da picada" para representar o brasileiro.

A panacéia ainda não terminou. A terceira figura que entra em palco são os índios. Ora porque índios? Eles são cidadãos brasileiros? Eles gozam dos direitos de todo brasileiro que estão contidos na "utópica" Constituição de 1988? Não, não, nossos índios foram assassinados por nós, seja de forma direta ou de forma indireta. Não os respeitamos, tomamos suas terras, suas mulheres e matamos seus filhos. Hoje ainda fazemos questão de tomar as suas terras e aculturá-los. Sem falar que ninguém quer ter um filho com cara de índio, os brasileiros querem ter filho com cara de holandeses (perguntem nas ruas e dirão que não). Os EUA têm índios, mas eles não os mostram em suas aberturas e cerimônias, pois sabem que os chacinaram historicamente. Não existe sentido no Brasil mostrar os índios se o país não os respeita.

A quarta representante do Brasil é uma modelo, magra, alta, branca, bem ideal, representante perfeita da ditadura da beleza que rege o ocidente. Ainda me pergunto o que aquela mulher estava fazendo ali. Ele não tem nada de exemplar para mostrar, não é um exemplo, não chegou ali com estudo, ela é somente a materialização da beleza "perfeita". Não é exemplo de representação de um povo.

Por fim, a quinta figura representante do povo brasileiro, a mulata sambando. Digo mulata com propriedade pois existiam mulheres brancas pintadas de negro em meio as que entraram no palco. Da mesma forma que a modelo supracitada não existia sentido em colocá-las ali. Eram mulheres com a sexualidade exuberante, semi-nuas sambando e tocando tambores. Para quem é adepto do sexo-turismo foi uma "mão na roda". O comentarista da tevê ainda falou, "foi horrível, nossas mulatas do carnaval são muito superiores". Que exemplo de brazilidade para o mundo.

Resumindo a panacéia, o que quiseram passar para a platéia sem senso crítico foi: "O Brasil, país da diversidade, da paz e do samba está de portas abertas para vocês". O que quiseram passar para os que virão gastar dinheiro por aqui foi: "O Brasil, país do sexo, da vida fácil, das florestas não protegidas o aguarda junto com seus investimento e com seu dinheiro. Venha para o Brasil, invista pois o povo é acéfalo e de tabela ainda pode ver um índio e levar uma de nossas mulatas para casa".

Sem elitismo ou preconceito, (pois sou classe média baixa e pardo) não quero criar polêmica com esse texto, mas quero abrir os olhos do brasileiro (da classe média que tanto Milton Santos fala em sua obra Por uma outra globalização) para o fato que, em nossa cultura, nós não temos heróis! Nada contra o gari (sem eles nossa cidade seria um caos), mas nós deveríamos ter alguém com um feito mais memorável para dar entrada na nossa representação cultural. Não era para ali terem top models, e sim escritores famosos do Brasil que nos representam pelo mundo. Por que não colocar a foto de Paulo Freire em algum momento? E Santos Dumont aonde fica? Até mesmo o Marcos Pontes já seria um bom exemplo pra ser mostrado assim como o negro Zumbi dos Palmares representando a luta pela liberdade.

Parei o parágrafo acima pois não consegui pensar em mais ninguém. Getúlio Vargas? Tiradentes? Não, não, elitistas demais, existe muita coisa obscura acerca desses personagens. Antônio Conselheiro? Talvez, mas quando a religião vira utopia generalizada não se espera muito de uma nação. Princesa Isabel? Essa não, sabemos muito bem das pressões inglesas acerca da libertação dos escravos. Ora, então quem são os nossos heróis? A verdade é, não os temos. 

O que se espera de uma nação sem exemplos, sem heróis? A polícia deveria ser nossos heróis, mas ela atualmente mata da mesma forma que os traficantes matam. Os médicos? não, não, viraram mercenários, vampiros bebedores de sangue dos doentes buscando sempre os planos de saúde que pagam melhor e buscando as especializações que tem maior retorno financeiro. Busque um pediatra e entenderá do que eu estou falando. E os intelectuais? ele seriam nossos heróis pensando um futuro melhor? Desculpe, mas não. Gostaria de dizer que sim, mas o capitalismo penetrou nas universidades de forma que dita os caminhos da ciência. Esse caminho é sempre voltado para o capitalismo. Hoje não se pensa no celular mais barato para todos terem acesso à informação, se pensa no mais moderno para "quebrar" a concorrência e se é mais moderno é mais caro consequentemente. O pobre perde o direito de obtê-lo. Se o pobre não o tem a tevê diz que ele não é gente se não o tiver. A violência se alastra nas ruas, o pobre mata para ter o que lhe é negado.

Chegamos longe? Saímos de uma festa de encerramento das Olimpíadas e paramos no caos social. Mas é assim mesmo, já diziam os adeptos da teoria do caos "o simples bater de asas de uma borboleta aqui pode provocar um furacão na China". Ou seja, precisamos de heróis, heróis de verdade, grandes exemplos de brasileiros que lutem pela nossa nação ao todo, sem distinção de cor, religião ou classe social. Precisamos de heróis que façam o Brasil sair da condição de "país das bananas, do sexo e do futebol" para o "país do futuro", o "país da educação".

Obs: Espero que vocês tenham senso crítico de saber o porquê de não falar acerca da Xuxa, do Airton Senna e do Pelé.

domingo, 5 de agosto de 2012

O neoneocolonialismo?

A globalização é, segundo Milton Santos, fábula e perversidade. Como o mundo está mapeado o capitalismo não demorou muito para perceber o quanto os antigos impérios e as antigas ditaduras do mundo não moderno são potenciais mercados consumidores caso se adequem ao modelo "democrático" capitalista. Junto com a potencialidade petrolífera temos a desculpa perfeita para as invasões.

Primeiro foi o Iraque por meio da força unilateral dos EUA e com a desculpa "vocês tem armas químicas!" indo até mesmo contra a ONU. O mundo não aceitou essa unilateralidade americana. Parece que eles perceberam que o mundo não precisa dos EUA. Os acordos multilateriais ganharam força em todo o mundo e os EUA baixaram um pouco a cabeça e aceitaram essa nova forma de relação internacional pós Bush (é como se a ONU dissesse, saiba ser imperialista meu amigo, os tempos mudaram).

Veio então a Primavera Árabe, coincidentemente dentro dessa realidade global de necessidade de mais mercados consumidores e de mais matérias primas, vide petróleo. O alvo são os governos ditatoriais - não democráticos. Até mesmo quem já foi aliado dos EUA se torna inimigo, "precisamos instalar a democracia" gritam os rebeldes. Mas quem são esses rebeldes? Saídos do nada e tão bem armados? Aparecem rebeldes em cima de tanques de guerra em todos os lugares, armados com os mais modernos fuzís e metralhadoras. A mídia diz "é o povo clamando por democracia!". Desde quando o povo sabe o que é democracia? Por acaso a "utopia" não se instala em todos os governos de formas diferentes (futebol em alguns, em outros basquete, em outros religião etc.). Foi preciso alguém se infiltrar nesses territórios e explicar o que é democracia (pelo viés da burguesia) e como se usam as armas modernas emprestadas - claro.

Essa é a resposta que nunca será aceita nos vestibulares atuais (quem sabe daqui a uns 10 a 20 anos): A primavera Árabe é uma nova forma de imperialismo, é um novo colonialismo (assim como o tradicional) e o neocolonialismo pré guerras mundiais. A ONU é uma instituição hipócrita fomentadora da "democracia" e por seguinte, da sustentação do espaço para a implantação da globalização perversa e do capitalismo informacional. O povo árabe (rebeldes), assim como na Revolução Francesa se armou para cavar a própria cova. A mesma ajuda indireta fornecida pelos EUA nas guerras paralelas ocorridas no período conhecido como Guerra Fria está ocorrendo novamente, sempre de forma infiltrada e sorrateira.

A discussão aqui não é apoiar os regimes ditatoriais que lá existem, e sim avisar ao mundo dessa nova forma perversa de expansão do capitalismo. As ditaduras devem ruir, a democracia deve surgir, mas não essa democracia capitalista. A democracia que queremos é uma democracia onde o povo governe não a burguesia. Que o povo possa intervir com mais força nas ações do governo, que os políticos corruptos sejam condenados exemplarmente, que a renda seja dividida de forma equânime e que os direitos sociais sejam fomentados ao extremo. O que queremos é uma nova globalização (Milton Santos) e quem sabe, um mundo mais justo e melhor de se viver.