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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Em 2014 cerca de 60 smartphones virão com a tecnologia de carregamento sem fio

A empresa QI Wireless Power Consortium aparece como principal nome para essa tecnologia na CES 2014

200 fabricantes de smartphones e eletrônicos em geral se inscreveram na empresa QI Wireless Power Consortium (que começou em 2008 com a Texas Instruments, Philips, Samsung, Sanyo e Olympus). A causa? Criar uma tecnologia de carregamento sem fio que funcione na prática (ótimo para quem ainda é refém de carregadores). No momento a empresa já consegue utilizar essa tecnologia em liquidificadores e smartphones. Mas a ideia central são os smartphones. Em 2014 muitas marcas vão lançar novos modelos e destes, 60 irão ter essa nova tecnologia. Como será o dispositivo que fará o carregamento é que fica em nossa imaginação.

Durante a CES 2014 passeamos ao redos de vários stands e percebemos que o Nexus Google 5 fará uso dessa tecnologia. percebemos que o segredo dessa tecnologia de carregamento sem fio é a velha indução eletromagnética, ou seja, o velho poder de transmitir que ocorre entre duas bobinas (desde que não haja muita interferência entre elas como o plástico de policarbonato nas costas dos celulares). A Nokia foi uma das primeiras fabricantes à aderir a essa tecnologia com o Lumia e o resto das fabricantes foi aderindo desde então.

Detalhes de como as empresas vão adicionar essa tecnologia aos seus produtos estão sendo preparados para serem apresentados ao público, mas na nossa opinião será preciso ao consumidor comprar alguns acessórios a mais do que o tradicional que vem com os smartphones. Atualmente você pode comprar alguns destes na loja online da QI a preços razoáveis ​​para todos os fabricantes. Quanto a Apple? A QI tem acessórios para seus smartphones mas o Iphone gigante não aderiu a tecnologia, Surpreso? Não pensamos assim...

Demonstração: https://www.youtube.com/watch?v=4QCn9mkxEqw

Fonte: http://www.cupomofertadesconto.com/5-carregamento-energia-sem-fio-ces-2014.html 

Em breve usuários do Google+ poderão enviar emails para o Gmail mesmo sem saber o endereço do destinatário


Preparem-se para spam a todo instante!

Em breve alguns usuários aleatórios do Google + irão poder enviar emails para as pessoas mesmo sem saber seus respectivos endereços eletrônicos. O google informou isso quinta-feira em seu blog. Tudo que vai se preciso saber é qual o nome de usuário que você cadastrou na conta do Google Plus.

Veja como vai funcionar: quando você envia um gmail o Google irá sugerir automaticamente os contatos que você adicionou aos seus círculos do Google Plus ( Google+ adicionando um usuário a um círculo é uma rua de mão única, que não requer a permissão da pessoa como " amizades" no Facebook faz) . Essa mensagem vai para caixa de entrada do gmail do destinatário na aba "social" . Você não vai ver o endereço completo de e-mail do destinatário a não ser que eles escolham responder a sua mensagem.

Google está lançando esta mudança como uma forma de "alcançar as pessoas que você conhece com mais facilidade". No entanto, é também claramente uma jogada da empresa para amarrar sua (menos popular) rede social a outros serviços mais bem sucedidos como o Gmail.
 

Ideia brilhante! Sensor de smartphone recebe dados por luz

Tecnologia LIFI transmite dados por luz LED e recebe por infravermelho.

Seu próximo instrumento de emissão de sinal de internet poderá ser uma luminária. Nos últimos anos muitas empresas têm trabalhado com LIFI, um padrão de rede sem fio que usa luz led para enviar dados ao invés de ondas de rádio. Na CES 2014, a empresa francesa Oledcomm exibiu um dispositivo capaz de transmitir dados à velocidades de banda larga usando a luz de uma lâmpada . E a empresa SunPartner Technologies revelou o Wysips Connect, um sensor de smartphone que tanto emite dados como recebe usando os raios de luz como forma de transmissão e emissão. Tivemos a chance de verificar essa tecnologia de e nos espantamos, não só pela sua capacidade de enviar dados usando lâmpadas comuns, mas pelo seu potencial para serviços de localização em interiores.
 
Usando LIFI os proprietários de edifícios em breve serão capazes de instalar luzes do teto para rastrear sua localização com mais precisão do que antes e capazes de oferecer feeds de dados com base em sua localização. Em nossa breve demonstração usamos um telefone com um sensor Wysips e o colocamos sob uma série de lâmpadas. À medida que se mudou de uma lâmpada para outra um aplicativo no dispositivo nos deu dados de direções com base em nossa localização. A tecnologia LIFI permitiria, por exemplo, que em um ambiente de varejo o cliente pudesse coletar detalhes dos produtos e até de preços e promoções de acordo com o tipo de iluminação do local.
Todas as luzes que usamos em nosso teste foram LED, lâmpadas padrão como você poderia comprar em qualquer loja. No entanto, elas tinham pequenas caixas LIFI ligadas a seus cabos de alimentação. Embora o processo seja imperceptível a olho nu, as caixas LIFI fazem com que as luzes pisquem em velocidades extremamente altas. O sensor de smartphones lê esses padrões cintilação e interpreta-os como dados. Um representante Wysips disse que o protótipo atual só é capaz de receber dados LIFI a uma taxa de 24 Kbps, mas ele espera que as futuras versões do protótipo possam alcançar velocidades de 1 Mbps. Mesmo assim, se você está recebendo apenas pequenos pedaços de dados, como coordenadas de localização, 24 Kbps é mais do que suficiente. Como a geração anterior de sensores Wysips o Connect também pode usar a luz para carregar.
 
Em outra área do estande foi utilizado um laptop Macbook que estava ligado a um receptor Oledcomm LIFI debaixo de uma lâmpada ligada a um roteador padrão. Quando naveguei pela Web no laptop as páginas da Web e streaming de vídeo carregaram com perfeição com uma taxa de transferência máxima de 10 Mbps; chegou perto das velocidades de muitos provedores caseiros que variam de 10 a 20 Mbps. Nesta configuração a luz foi usada somente para enviar dados para o notebook, já o mesmo enviava os dados via infravermelho para um sensor instalado na lâmpada LIFI . Um representante Oldecomm disse que em redes LIFI futuras os dispositivos também poderão ter as suas próprias lâmpadas LED para upload.

Por enquanto a tecnologia LIFI é pouco provável para substituir nosso Wi-Fi, 4G e outras conexões de ondas de rádio, mas parece que há um futuro brilhante para a rede baseada em luz. Não só podem luzes LIFI habilitadas serem utilizadas para transmitir dados de localização em interiores, como também elas podem oferecer um nível de segurança física que você não vai encontrar em outras soluções sem fio. Se você tem que estar sob a luz para obter os dados, um hacker sentado à vários metros de distância provavelmente não terá acesso a esses dados. E apesar de que o melhor demo da Oledcomm só chega à 10 Mbps, uma equipe de pesquisadores britânicos chegaram recentemente à velocidades de 10 Gbps usando LIFI em um avançado laboratório.

Nós estivemos rastreando tecnologias de sensores de energia solar por alguns anos e até agora só nos decepcionamos, pois ninguém ainda conseguiu utilizá-los em nenhum spartphone. No entanto, com a adição de conectividade LIFI a capacidade de carregamento solar torna-se um benefício secundário e todo o sensor torna-se mais interessante para os “OEMs”. Enviar dados por luz é o futuro e a Wysips inova ao trazer essa tecnologia para telefones. Quer se trate de Wysips ou outro produto , a tecnologia LIFI tem um futuro brilhante .

Vídeo aqui da demonstração: http://bcove.me/4z6w6trc

 

Novo app do google chamado US+ vai fazer de você um conversador melhor usando análise de rosto


Antes conversava-mos somente pessoalmente. Depois vieram os sinais de fumaça, o telégrafo o telefone até chegar a internet. A tecnologia tornou mais fácil do que nunca ficar em contato com outras pessoas (pelo menos virtualmente). Mas serviços como Skype e Facebook não garantem necessariamente uma boa conversa. Eles fornecem um espaço virtual, o resto é com a gente. Você pode imaginar um ponto em que os aplicativos vão dar um próximo passo, nos ajudando, cutucando-nos na hora certa de falar, lembrando-nos da hora de calar a boca quando for a hora de ouvir. Com o US+, o novo aplicativo do Hangout você pode ter um gostinho do que é o futuro.
O aplicativo foi criado pelos artistas Lauren McCarthy e Kyle McDonald, combinando algumas análises de expressão linguística e facial o aplicativo monitora conversas de vídeo em tempo real. Você pode ver como você está sendo hostil, ou positivo, ou honesto. Em determinados intervalos o aplicativo vai lhe dar sugestões dizendo-lhe que você está falando demais ou notar que seu interlocutor parece triste.
Ambos os criadores vêem o aplicativo como inevitável, mas nesse momento o software ainda está voltado mais para explorar a ideia de mediação algorítimica do que realmente mediar uma conversa de forma significativa. "Embora esse aplicativo realmente funcione, fico em dúvidas se uma pessoa com 10 minutos de treino de linguagem corporal não detectaria esses detalhes mais rápido que o computador" diz McDonald.
"A linguagem corporal destacada traz a ideia de que agente não vai ter a opção de ignorar estas sugestões em algum momento", acrescenta. "Ou o sistema será tão preciso que não poderemos nos dar ao luxo de ignorá-lo, ou será tão rebuscado no modo como interagimos que nos sentiremos desconfortáveis de viver sem ele". "Pense nisso como autocorreção do seu smartphone com inteligência de nível da Skynet (do Exterminador do Futuro).
Em ambos os casos , disponibilizá-lo nesta forma ainda imatura, pelo menos nos dá a oportunidade de pensar sobre as implicações. "Esperamos que, se esperimentar-mos suficiente, logo no início, podemos manter a perspectiva crítica antes que a tecnologia seja predominante", diz ele.
Recentemente, McDonald e McCarthy co- ministraram um curso chamado "Apropriando Tecnologias de Interação" para o programa ITP da NYU . Foi realizado com estudantes sonhando com maneiras mais inteligentes para interromper as rotinas digitais e tecnologias comuns que usamos todos os dias (um curso inovador).
Um estudante perguntou o telefones para estranhos na rua só para tirar uma foto de seu histórico de navegação. Outro pediu aos amigos para ajudá-lo a descobrir onde comprar um café usando apenas uma interface Street View em estilo virtual.
Em algum ponto McCarthy diz que a discussão do grupo voltou-se para o porquê. "Depois que os alunos tinham saído e criado o caos através da introdução de pequenas falhas sociais (usando tecnologia) todo mundo começou a perguntar por que estamos fazendo isso, é apenas para fazer as pessoas desconfortáveis ​​ou há um ponto mais profundo?", lembra McCarthy. Mas nesses casos e com US + ela acha que as interrupções podem oferecer uma perspectiva diferente sobre as relações que temos com a tecnologia e entre si.
"Com o ritmo atual de desenvolvimento da tecnologia e da cultura não há muito tempo para a contemplação no processo", diz ela . "Eu acho que nós como artistas podemos contribuir para a conversação, provocando as pessoas a participar com perguntas sobre que tipo de futuro social que estamos construindo".




terça-feira, 25 de junho de 2013

Saramandaia e o contexto sociopolítico nacional


Nova novela das 11, Saramandaia da Globo, pura arte e ideologia. Nota 10 para a arte, atores escolhidos a dedo, maquiagens perfeitas e personagens carismáticos. Porém, como é Globo é de se esperar algum veneno. De cara percebemos a profunda ideologia por traz da novela.

1- Cidadãos reivindicam a mudança do nome da cidade e vão as ruas protestar (que coincidência);
2- Quem é contra a mudança são os vilões e geralmente são caretas e antiquados;
3- Os manifestantes usam da baderna para reivindicar, e no contexto da novela é o correto;
4- Existe um plebiscito na cidade para o povo escolher se muda ou não muda o nome da cidade;
5- Tem um pseudo santo (ICAR) que ajuda o povo (como se a ICAR tomasse lado quando as coisas pegam fogo);

Ora, a novela está sendo feita bem antes de começar as movimentações e como essas "coincidências" podem existir? Logo agora? Tudo bate certinho com o contexto sócio-político do país? Sabemos que ela é um remake, mas a pergunta é, porque trazê-la de volta logo agora? Me parecem duas possibilidades:

a) Existe um plano superior (de partidos da oposição) para causar um golpe contra o PT. A Globo já havia coadunado com esse plano à meses atrás e a novela dará apoio a esse plano exitando o povo a se revoltar, inclusive usando da baderna;
b) A Globo a colocou como um plano reserva com o intuito de promover sua "defesa" pelas mudanças sociais e políticas.

Seja qual for a verdade, Saramandaia vem com uma dose de arte pesada, muito bem feita, com ar de super produção e abarrotada de ideologia para o povão. O primeiro capítulo deixou isso bem claro. O terror é acreditar na possibilidade que todas essas movimentações já estivessem nos planos de uma classe dominante a pelo menos 6 meses atrás (quando cogitou-se a refilmagem da novela). Só o tempo dirá o que a Globo tem por traz de tamanha hipocrisia nessa novela. Golpe ou falso apoio à mudança?

domingo, 16 de junho de 2013

“Vândalos e terroristas” Por Arlan Leite.




Eis a construção conceitual da imprensa elitista e de direita, corroborada pelos setores mais reacionários e conservadores brasileiros, sobre os movimentos populares no espaço urbano. Por que a imprensa elitista, que elabora e ressignifica suas identidades fora do Brasil, que vive na terra do carnaval, do futebol e também da corrupção, mas tem uma visão de mundo a partir da Europa ou dos Estados Unidos, nomeia os movimentos populares, por exemplo, do mundo árabe, de “manifestantes” e não de “vândalos”?

No Brasil, diferentemente de outras experiências históricas, o grande problema foi não incluir a maioria. A maioria do povo não é incluída social, político e economicamente. A independência política brasileira, um arranjo da elite, foi instituída à revelia do povo. Povo? Havia uma população sem cidadania incluindo uma grande massa de escravos, os quais eram completamente desprovidos de qualquer igualdade. A República, um acordo entre militares e elite em ascensão político-econômica, também foi produto do conchavo em detrimento da participação popular. Os setores populares assistiram a mudança de regime político sem entender direito o que estava acontecendo. A despeito disso, esse mesmo povo participa de alguma forma.

Com a promulgação do Código Criminal de 1830, a elite política procurou controlar com toda a força possível os “negros escravos, vadios e mendigos”, os quais vão ser classificados como criminosos e contraventores. Para tanto, a criação de uma força militarizada foi importante para manter a ordem no espaço urbano. Em 1809, ainda no período da presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro, foi criada a Guarda Real de Polícia da Corte. 

Segundo o historiador Marcos Bretas, devido à situação social da colônia brasileira, mormente do espaço urbano carioca, onde apresentava uma classe social escravizada, entendida como propriedade dos membros da elite, a polícia era um exército permanente travando uma guerra social contra adversários que ocupavam o espaço a seu redor. A força policial aparecia como um exército no espaço da cidade apenas para reprimir severamente as manifestações ou greves dos trabalhadores e, depois da missão, ela desaparecia recolhendo-se à sua sombria existência, até a eclosão da próxima greve. A repressão era brutal e, nesse período, houve a figura do major Vidigal que utilizava um sabre (chicote) para supliciar os negros escravos, mendigos e vadios.

A elite política promulgou o Código Penal de 1890, antes mesmo da própria Constituição republicana, para exercer um novo controle de repressão às classes populares, uma vez que os escravos eram livres, entretanto eram considerados uma “classe perigosa”. Daí as legislações penais complementares irão nomear novos contraventores, a partir das novas manifestações contrárias à ordem do Estado. “Vagabundos, mendigos, prostitutas, capoeiras, ébrios” e, a partir de 1908, serão incluídos os “desordeiros”, a fim de atingirem os manifestantes políticos no espaço urbano. Essas classificações de contraventores serão respaldadas pela elite social e pela imprensa elitista. As leis penais não tinham um caráter universal e estabelecia a desigualdade no tratamento dos grupos sociais marginalizados, segundo a historiadora Myrian Sepúlveda. 

A partir da década de 1930, no período do governo Vargas, as classes sociais que questionavam a ordem vigente foram classificadas pelo Estado como “insurrectos ou comunistas”. Qualquer movimento de contestação sofria uma repressão brutal e as forças armadas e/ou policiais agiam extrapolando até os limites da legislação. A imprensa falava do “perigo vermelho” para demonizar esses grupos sociais que contrariavam a ordem.

Depois do Código Penal de 1940, baseado numa doutrina positivista e preocupado com a segurança nacional, e principalmente depois de 1964, os movimentos reivindicatórios serão tratados como “subversivos ou comunistas”. Dessa forma, novas constituições e legislações penais complementares, como por exemplo, o Ato Institucional nº 5, irão controlar e tipificar criminalmente as manifestações sociais que questionavam o Estado.

E agora, no século XXI, muitas práticas do passado continuam, mesmo com novas significações, uma vez que os setores médios e conservadores temem por demais perderem o controle sobre os movimentos sociais e que estes consigam estremecer o poder elitista que desfrutam há séculos. A força policial, mesmo com determinados níveis de modernização e orientações sobre os direitos humanos a partir da Constituição de 1988, é o poder de controle, com certa eficácia, disponibilizado pelo Estado contra os movimentos sociais que burlam a ordem no espaço urbano.

E muitas continuidades permanecem desde 1809. A polícia brasileira foi e ainda é, também, treinada para tratar a população como “inimiga”, mormente quando esta se insurge e reivindica direitos. Porém, a população não é uma vítima passiva, ela também participa dessa construção conflituosa com a polícia. No Brasil, movimentos sociais e força policial, historicamente, constroem relações complexas e hostis. A imprensa elitista e de direita chamam os estudantes e trabalhadores que questionam a ordem de “vândalos e terroristas”.

Em suma, tivemos uma sobreposição de conceitos e classificações excludentes e criminalizantes, na temporalidade histórica, forjados pelas legislações penais e corroborados pelos setores reacionários sobre os movimentos sociais que contrariam a ordem. “Negros escravos, vadios, mendigos, vagabundos, prostitutas, ébrios, desordeiros, insurrectos, comunistas, subversivos, vândalos e terroristas”. Entendeu por que a imprensa elitista e os setores médios conservadores brasileiros chamam os movimentos reivindicatórios do mundo árabe de “manifestantes”?

Arlan Leite, Mestrando em História pela UFRN.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Estudantes revoltosos, leiam "A arte da Guerra" de Sun Tzu



Esse mês o Brasil começou a pegar fogo, isso devido ao aumento generalizado das passagens de ônibus em todo o território nacional. Bem Brasil, chegou evento importante eleva-se o preço de tudo afinal, o povo acaba sempre consumindo mais independente do preço. Mas alguma coisa ficou diferente, nos parece que o povo começa a acordar de um grande tempo de dormência. Mas também temos que analisar a lógica temporal, eleições chegando, muito sindicalista e líder estudantil estão querendo se afirmar nas próximas eleições.

Mas independente da razão real (promoção política ou revolta social), esses líderes estão conseguindo cada vez mais colocar mais pessoas nas ruas reivindicando seus direitos e reclamando do sistema mais desigual e corrupto do planeta, o Estado brasileiro. O problema é a lógica que estão usando. 

Primeiro erro: o confronto com a polícia

Manifestantes ocupam as ruas comerciais das cidades usando da tática "vamos bloquear o trânsito e impedir o comércio". Até funciona, mas não tanto quanto deveria, isso porque essa tática acaba por atrair o confronto desnecessário com a Polícia Militar, mais especificamente o CHOQUE. A princípio é necessário que as pessoas entendam que o critério para se ingressar na PM (seja qual for) na maioria do território nacional não é o critério intelectual. É requerido somente o segundo grau, mas lhe é cobrado nas ruas conhecimento de primeiros socorros, direito, artes marciais, estratégia, psicologia e sociologia.

O policial militar não tem a mínima noção do que ocorre na verdade na hora desses confrontos. Suas opiniões (na maioria) são formadas pela mídia televisiva (aquela que chama os estudantes de vagabundos e baderneiros). Se duvidam entrem em comunidades e posts de policiais no Orkut ou Facebook no dias desses confrontos, vão se assustar com os comentários. Ou seja, aquelas cenas onde pessoas entregam flores para policiais em manifestações são cenas sem sentido - principalmente para os policiais.

Mas como falava no início, esse confronto não tem lógica. Primeiro que os estudantes (na grande maioria) não sabem sequer pelo que estão lutando, estão meramente sendo manipulados por um grupo que quer ascender politicamente usando de partidos de "esquerda". Por outro lado policiais militares despreparados e praticamente destituídos de senso crítico ou lógica social. A cena que ocorre disso é uma verdadeira barbárie, onde o saldo são dezenas de pessoas presas e outras dezenas feridas. O ódio histórico dos brasileiros contra os militares só aumenta. Mas o que eu quero dizer é que, os verdadeiros inimigos da sociedade não sofrem absolutamente nada com isso, eles estão em suas poltronas confortáveis assistindo tudo pela tevê - com pipoca e refrigerante.

Os verdadeiros inimigos e a verdadeira tática

Os verdadeiros inimigos do povo são velhos conhecidos das aulas de história (sim, aquela que você dormiu e nunca entendeu), refiro-me à burguesia que acabou com a farra dos impérios e instaurou a "democracia" (Revolução Francesa). A lógica mudou um pouco mas o inimigo é o mesmo. Hoje se organizam em partidos políticos e  se refugiam nas "casas do povo", as prefeituras e câmaras municipais e estaduais. Eles que são os inimigos, isso tem que ficar bem claro na cabeça das pessoas, é deles que o povo tem que cobrar.

Só para lembrar, quando a burguesia achou ruim o sistema imperial monárquico, ela foi diretamente ao rei e o decapitou, não ficou de "mimimi" no meio das ruas. Mas calma, não estou falando em decapitar essa burguesia como a mesma fez com o sistema antecessor, digo que as manifestações devem ir com o mesmo fervor para cima dessas pessoas, nas casas do povo, nas suas casas. Eles devem sentir o peso das mortes que provocam indiretamente quando sucateiam o Estado. Em uma guerra desse tipo o inimigo deve ser enfrentado cara a cara, sem intermediações. Se eles não sofrerem pressão nada mudará. Essa pressão não pode ser intermitente, deve ser eterna. Sempre o povo deve estar causando calos em seus pés, circundando suas casas, fazendo-os temer.

Por mais poético que eu esteja sendo espero que entendam que não estou fazendo apologia à violência. Quero dizer que lotar as casas do povo é mais interessante que bloquear ruas, ou seja, o que tiver de ser feito tem que ser feito próximo dos políticos, de preferência em cima deles, para que eles sintam a pressão popular e sejam obrigados à mudar seus feitos. Se essa pressão for eterna ai sim podemos mudar a história do país.

A última reflexão

Grupos sociais devem ter cuidado, não existe mobilização sem lideranças. Muitas vezes as lideranças desses movimentos são atrelados à partidos políticos de esquerda ou até pior, de direita. Mas o que esses líderes querem é meramente se promover politicamente para mudar de classe, sair da plebe e ir para a burguesia. O confronto nas ruas com a PM é idiotice, uma luta sem sentido entre duas classes que sequer sabem pelo que lutam. O confronto deve ser diretamente com os políticos nas casas do povo e até mesmo nas suas casas, para que eles sintam a pressão popular (mas sem decapitações por favor).

Por fim, é necessário que as pessoas entendam um pouco da arte da guerra. Se você não sabe pelo que luta sua batalha não terá sentido. Se você não conhece seu verdadeiro inimigo sua batalha não terá êxito. Se você não conhece o território inimigo acabará por atacar a si próprio. Temos que lutar, mas não pelo simplório aumento das passagens de ônibus, temos que lutar por mais, somos a sexta maior economia do mundo, mas também somos o país mais desigual do planeta, e no ranking da corrupção somos líderes também. Temos que lutar pelos milhares de brasileiros que morrem todos os anos de fome, em assaltos nas ruas, pelas drogas, pelo péssimo trânsito que temos, pelos desvios nas verbas dos hospitais públicos, pelos 11 bilhões usados na copa do mundo e por toda essa política que sobrevive da morte de pessoas que se instalou nesse país a um bom tempo. A luta tem que ser perene e o alvo tem que ser bem delimitado.

Obs.: Podem até me criticar por ainda usar termos clichês marxistas, mas acredito que a ironia fez o bom uso destes.