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quarta-feira, 6 de abril de 2011

A democracia da mentira



            A democracia é um fator social extremamente desejado pela população que sabe o que ela representa, porém, infelizmente, ela nunca foi alcançada de forma definitiva em uma nação. A história é palco de diversas lutas que buscavam a democracia (vide Revolução Francesa), mas esta, tornou-se só mais um meio de manipulação da massa, que vive a ilusão de estar em uma democracia real.
            Tomemos o Brasil como exemplo, mas, levando em consideração o fato de que o capitalismo é contraditório e combinado, por isso, essa realidade se repercute por todo o mundo que vive o mesmo regime político que este país, por que não dizer, no mesmo regime econômico. Aqui vivemos um regime “democrático”, republicano. Existem eleições em determinados espaços de tempo onde, toda a população que está apta pode votar e escolher seus “representantes”. Estes representantes se dividem em: vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e presidente.
            Na teoria, estes “representantes” deveriam gerir o Estado da melhor forma possível, buscando o desenvolvimento da nação, sugerido até mesmo no lema “Ordem e Progresso”, que vem impresso na bandeira do país. Quando isso acontece, podemos afirmar que a democracia foi conseguida. Porém, na prática, temos outra realidade. O país afunda em escândalos envolvendo corrupção em todas as escalas do governo. Fraudes e falcatruas mancham a imagem de todos os governantes, que entram e saem do poder, não importando o partido ou a origem do mesmo. Criou-se um sistema onde os governantes criam políticas para uma determinada e minoritária classe social, e com isso, surgem as desigualdades sociais, por conseqüência, a pobreza.
            O regime “democrático” representado pelo sistema republicano é falho desde suas fundações. Este regime que surgiu para combater o absolutismo desde épocas remotas não consegue ser democrático, pois, para ser, seria necessário um modelo onde qualquer classe social pudesse eleger um representante, mas, na prática, não é isso que acontece. Na prática, temos um sistema segregador, onde apenas as altas classes sociais conseguem eleger seus representantes.
            Para entender por que esse fenômeno ocorre é preciso entender o que são os partidos políticos. Os partidos políticos são, na teoria, uma união política de pessoas de mesma ideologia que irão trabalhar juntas em um plano para a sociedade. Porém, na prática, temos outro resultado. Como estamos em um país que transborda desigualdades sociais, temos ai uma divisão de classes também no quesito conhecimento. Afinal, para se eleger é preciso estar em um partido político, e para se criar  um partido político precisa-se organizar-se em todo um complexo tramite jurídico. Aqui que ocorre a segregação das classes. O pobre, produto das diferenças sociais, fruto de uma péssima educação pública oferecida pelo Estado, não tem conhecimento jurídico para este feito, e por isso, ele é ceifado do direito de se eleger, ou de até mesmo, de criar um partido político.
            Mas esta realidade não é uma regra universal. Ainda é visível nos horários disponibilizados por lei para propaganda política nas mídias, a aparição de um ou outro candidato representando as baixas classes sociais. Porém, outra segregação ocorre neste momento, o tempo disponível para que este possa expressar seus ideais políticos é mínimo. Isso ocorre devido uma artimanha política expressa em lei, que faz com que partidos políticos “maiores”, combinados, representantes das classes sociais elitistas, e por sinal, com mais capital, tenham mais tempo para elaborarem sua propaganda política. O derramamento de capital neste momento cria uma propaganda fantasiosa, enganadora, que finda por “conquistar” os eleitores de todas as classes sociais, até mesmo das baixas classes, pois sem uma educação de qualidade, mostram-se como ignorantes políticos. Dentro desta sistemática ainda existe o papal da mídia, principalmente televisiva, que constrói um falso ideal de democracia focando a importância das eleições na forma como é feita.
Este sistema covarde, constrói um movimento circular onde uma minoria política consegue sempre se perpetuar no poder. A educação, sucateada, é usada como fonte de criação de ignorantes políticos, e as leis, indiretamente, afastam as baixas classes sociais da possibilidade de assumirem o poder através de representantes diretos. A perpetuação deste ciclo vicioso cria uma sociedade cada vez mais desigual, por conseguinte, mais violenta.
Baseado em todos esses fatos, podemos afirmar que a democracia é um sonho longe de se alcançar. O ciclo político vicioso que foi formado desde a revolução francesa, quando os burgueses conseguiram derrubar o rei absolutista e assumir o poder, é difícil de se quebrar. Este enclave na democracia se repercute em todos os países que possuem regime republicano, e que possuem graves desigualdades sociais. Quebrar esse enclave só será possível em dois casos: Primeiro, interesse das classes dominantes em se criar um país desenvolvido, e não um país de capital avançado; Segundo, as baixas classes sociais disseminarem estas informações, e lutarem em uma revolução nas leis que gerem o sistema eleitoral, criando um sistema realmente democrático, onde todos possam ser realmente representados.
Vale salientar que toda revolução tem um preço. Nenhuma classe dominante abrirá mão do seu poder, e caso o povo, ou seja, as baixas classes sociais, busque estas reformas, um grande derramamento de sangue eventualmente surgirá no confronto contra o Estado.

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